Com a paralisação de parte da frota do transporte coletivo, as paradas ficaram lotadas nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (21) na Zona Norte Manaus. Trabalhadores relataram esperas de mais de uma hora para embarcar em um ônibus. Os rodoviários paralisaram parcialmente as atividades na tarde desta quinta-feira (20) por falta de pagamento do 13º salário.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), apenas 17 dos 105 ônibus da empresa Açaí deixaram a garagem nesta sexta. A diminuição de atendimento foi percebia pelo leiturista Jones Paixão, de 53 anos, que esperou por mais de uma hora pelo ônibus da linha 029 para chegar ao trabalho.

“Tinha que chegar às 7h30 no bairro Novo Israel. Estava estranhando a falta de ônibus e agora que fiquei sabendo da greve. Os ônibus que passam não param porque estão muito lotados”, disse.

Na parada, outros trabalhadores aguardavam o coletivo. Segundo o leiturista Harison Araújo, de 30 anos, parte da população aprova a paralisação. “Eu concordo com os motoristas de ônibus. Se não estão recebendo, a manifestação precisa acontecer. O problema é que a população é afetada”, disse.

O soldador Herman de Castro de 49 anos estava há mais de 35 minutos à espera do ônibus da linha 323. “Eu moro no bairro União da Vitória e trabalho na comunidade São Pedro. Os ônibus não passam e já estou atrasado. É direito deles, e a gente não tem opção”, disse.

Em frente à sede da empresa Açaí, aproximadamente 350 funcionários cruzaram os braços em protesto. Desde as 3h da manhã, eles reivindicam o pagamento do vale e do 13º salário. O cobrador Claudomiro da Silva disse que a categoria não recebeu resposta até o momento.

“Eles prometeram pagar a primeira parcela do 13º no dia 30 de novembro, o que não foi feito. Depois prometeram dia 18 de dezembro e não pagaram – e nem ontem, dia 20. Não foi resolvido nada. Não recebemos o vale também. Isso é uma falta de respeito com a gente”, afirmou.

O vice-presidente do sindicato dos rodoviários, Claudomiro Mossoró, contou que haverá nesta manhã uma reunião com os representantes da empresa e com a Prefeitura de Manaus.

“A prefeitura não repassou a verba aos empresários e nem o empresário repassou aos trabalhadores de toda a categoria. Se não for resolvido, todo o sistema vai parar as 11h. É um direito do trabalhador. É muito revoltante”, informou.

Fonte: G1