Com 280 casos de mortes de bebês até os 28 dias de vida, o Amapá registrou 12% de mortalidade neonatal, índice superior à média nacional, que é de 9,5%, segundo o Ministério da Saúde. Os dados são do Hospital da Mulher Mãe Luzia, única maternidade pública do estado, localizado na capital Macapá.

Em 2016, a Região Norte registrou 4.611 mortes neonatais. O estado que teve mais óbitos foi o Pará, com 2.109, seguido por Amazonas, com 1.160; em terceiro está Rondônia, com 354, depois vem Tocantins, com 296, Amapá, com 280, Acre, com 228, e, por fim, Roraima, com 184 registros.

A mortalidade neonatal pode acontecer até os 28 dias de vida do bebê e é identificada como precoce, se ocorrer em até uma semana, ou tardia, após sete dias completos. Alguns fatores que podem causar o óbito são problemas no parto, prematuridade, falta de pré-natal, infecções e doenças transmitidas pela mãe.

O pequeno Pedro Henrique tem 19 dias de vida e, após receber alta, teve que voltar para o hospital por causa de uma infecção. Segundo a mãe dele, a dona de casa Elaine Feitosa, o bebê tem um tumor na bochecha.

“Esse tumor vaza muito. Ele está tomando antibiótico e não está resolvendo. Vamos fazer outro exame para saber qual o tipo de bactéria que ele tem. Fiz tudo certo [o pré-natal]”, falou a mulher em entrevista à Rede Amazônica.

De acordo com o diretor do Hospital da Mulher Mãe Luzia, Ivo Melo, as mortes por má formação chegam a 1%, outras por asfixia somam também 1%, mortes por motivos variados que estão ligados à qualidade do pré-natal assumem 7%. A maternidade é responsável por 90% dos partos de todo o Amapá.

“Quando a gente observa a mortalidade natal precoce, que é aquele bebê que morre até os 7 dias de vida, a nossa taxa é de 9%, ou seja, o bebê nasceu e tem que perguntar porque ele ficou grave, se teve pré-natal, se nasceu com alguma má formação que o levou à morte e como foi o tipo de parto”, falou o diretor.

A representante do Ministério da Saúde Luiza Geaquinto destaca que técnicos estão percorrendo alguns estados brasileiros para discutir estratégias que melhorem a qualidade do atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em busca de diminuir a mortalidade neonatal.

“Algumas delas são o método canguru, a Rede Brasileira de Banco de Leite, a iniciativa Hospital Amigo da Criança. Desde a década de 90 o Ministério da Saúde já vem trabalhando, com estados e municípios, ações para qualificar o cuidado neonatal”, disse.

No Amapá, os municípios do interior são os mais carentes de qualidade no atendimento, principalmente pela falta de médicos. O Conselho das Secretarias Municipais de Saúde ressalta que passa por uma nova gestão e busca apoio financeiro e assistência em consultas de pré-natal e exames para mudar essa realidade.

Fonte: G1