Golpes aplicados pela internet continuam fazendo vítimas no Amapá. Pessoas que enfrentam transtornos e prejuízos relataram ao G1 o que essa situação mudou na vida profissional e social delas. A Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), 30 casos foram registrados em 2018.

Sargento do Corpo de Bombeiros, Roque Mourão, de 43 anos, conta que enfrenta transtornos há cinco meses, após uma quadrilha usar o nome e a conta dele em um site de vendas para aplicar golpes.

Para Mourão, o cargo de militar deu mais credibilidade ao acordo que estava sendo feito, sem ele saber. Ele descobriu o esquema criminoso ao ser procurado por vítimas desse golpe no local de trabalho.

Segundo o sargento, uma quadrilha supostamente de Rondônia, vendeu um carro no nome dele, que não foi entregue após pagamento de parte da negociação. Esse golpe chegou a fazer cerca de dez vítimas só no Amapá. Mourão destaca que já registrou três boletins de ocorrências depois de ter sido cobrado.

“Essa situação está causando diversos transtornos para minha vida. Estou sofrendo ameaças. Pessoas estão vindo atrás de mim pedindo o carro ou dinheiro de volta. Eu orientei as vítimas a procurarem a delegacia”, falou.

Já com o servidor público Adriano Ayan, de 28 anos, o caso foi diferente. Cadastrado em um site popular de vendas, ele ofereceu um celular no valor de quase R$ 4 mil, que foi arrematado por um suposta comprador de São Paulo.

Mas, para a surpresa do vendedor, o dinheiro que teria sido depositado era uma fraude. O servidor público registrou o primeiro boletim de ocorrência dele no Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) do bairro Pacoval na quinta-feira (23).

“Eu fiz um anúncio de venda em um site, procedi com toda a operação e recebi um e-mail, avisando que o valor foi depositado, mas ficou retido e seria liberado quando o produto chegasse ao endereço. Mas, depois, fiquei sabendo que esse e-mail havia sido clonado”, disse Ayan.

O servidor público conta que manteve contato com a suposta compradora até a chegada do produto em São Paulo, mas, após isso, foi bloqueado. Ayan espera descobrir quem foi o receptor que assinou o documento da compra.

De acordo com o delegado Wellington Ferraz, titular da DCCP, aparelhos eletrônicos e imóveis são as propagandas que mais chamam a atenção de compradores da internet que acabam caindo em golpes. Ferraz destaca a web pode ser muito perigosa até para os mais experientes.

“Os internautas não podem nunca depositar valores em dinheiro ou efetuar transferências sem antes checar a credibilidade do vendedor ou mercado eletrônico. O interessado deve pesquisar o histórico de vendas, comentários, referências e se já houve algum tipo de problema”, enfatizou.

Fonte: G1