Apito e alfinete viraram arma contra o assédio sexual e outras formas de violência na Universidade Federal do Amapá (Unifap). O kit com os objetos começou a ser distribuído por integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), após sucessivas reclamações e denúncias de casos de assédio, assaltos, furtos e até estupros.

Segundo a Unifap, atualmente não existem denúncias formalizadas na ouvidoria ou Reitoria da instituição com relação à violência.

De acordo com a coordenação geral do DCE, há dezenas de relatos de jovens que são perseguidas por homens até a parada de ônibus e dentro dos coletivos.

“Distribuímos cartazes com frases e 100 kits contra assédio na segunda [24]. É só um início, mas vamos ampliar. A ideia foi inspirada em uma ação de um movimento social dos metrôs de São Paulo. É uma alternativa para que as mulheres possam se defender”, explicou a coordenadora Loyanna Santos.

A ideia é que a mulher possa se defender alfinetando o autor do assédio. Assim, ela consegue espaço e tempo para assoprar o apito e formar à sua volta uma rede de proteção imediata, que poderá expulsar o agressor do local, explica o diretório.

A distribuição do kit, porém, é apenas uma das formas para chamar a atenção da gestão em relação aos casos de violência que nas últimas semanas vêm ganhando as redes sociais, com professores e alunos denunciando uma onda de assaltos, furtos e até estupro dentro da universidade.

Uma professora, que preferiu não se identificar, revela ter tido o carro arrombado dentro da instituição e diz trabalhar diariamente com medo.

“Vivemos com muita insegurança. Não há controle na entrada de pessoas. Inclusive já ocorreu assassinato lá dentro. Muitos blocos são escuros e perto de uma mata que tem lá atrás é comum presenciarmos usuários e bandidos se escondendo. Vários furtos ocorreram, inclusive eu fui vítima. Uma vez roubaram o som do meu carro e a moto de um colega. Alunas já foram assaltadas a mão armada e, mais recentemente, soubemos que uma aluna foi estuprada”, contou.

Sobre o caso de estupro, professores e acadêmicos publicaram sobre o fato nas redes sociais, mas o G1 não localizou o registrado de nenhuma denúncia.

Estudante do curso de licenciatura em história, Galdêncio Silva confirma que o perigo é ainda maior à noite, quando muitos blocos ficam em áreas escuras.

“No dia 20 deste mês uma aluna do curso de farmácia foi roubada. Os bandidos estavam armados e levaram o celular e outros pertences. A má iluminação dos espaços do campus põe estudantes, professores e os próprios trabalhadores da segurança em total exposição a ação de criminosos. Precisamos de melhorias no que se refere a iluminação do campus e aumento do contingente de segurança”, pede Galdêncio, que também integra o Coletivo de Estudantes Autônomos da universidade.